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terça-feira, 16 de maio de 2017

Planisfério de Cantino - 1502



Desde o século 15, a confecção de mapas era uma atividade estratégica e secreta em Portugal. As descobertas eram cuidadosamente lançadas nos mapas portugueses da época. Alberto Cantino, um comerciante italiano de cavalos, em Lisboa, trabalhou secretamente para o Duque de Ferrara, da Itália. Cantino cooptou um cartógrafo português que elaborou um planisfério, provavelmente com base na "carta padrão d'El Rei".

Acredita-se que o mapa foi encomendado em outubro de 1501, concluído na segunda metade de 1502 e enviado para a Itália, possivelmente em outubro desse ano. O planisfério incorporou alguns dados da primeira expedição exploratória, ao Brasil (1501-1502), mas ao que tudo indica, como uma adição posterior, sem a qualidade original.

O Brasil (chamado no mapa de Terra Nova) aparece com apenas a faixa litorânea e muitas árvores verdes e douradas que representam o pau-brasil, arbustos azuis e papagaios vermelhos. Nesse período, usar as cores era muito caro então geralmente se usava poucas cores além do preto. Da América Central só estão as Antilhas (que aparece escrito "has antilhas del Rey de castella", as Antilhas do rei de Castela, é o mapa mais antigo com o nome Antilhas também) e da América do Norte, a Groenlândia e a atual Flórida.



O mapa não está assinado, nem datado, mas existe uma inscrição em seu verso (em dialeto veneziano): Carta de navegar pela ilha novamente achada na parte da Índia. Oferta de Alberto Cantino ao Senhor Duque Hércules. Tem dimensões de 2,20 m X 1,05 m e são representados apenas 257° em longitudes, o que seria a extensão do mundo conhecido na época. A Linha de Tordesilhas está indicada como Este he o marco entre Castela e Portugal.


O planisfério ficou na biblioteca de Ferrara até 1597, quando foi transferido para o palácio ducal de Modena. Em 1859, o palácio foi saqueado e o mapa desapareceu. Nos anos '70 o diretor da biblioteca de Modena achou o mapa forrando um anteparo em uma salsicharia da cidade, comprou-o e levou-o para a biblioteca, onde ainda se encontra.

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