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domingo, 26 de julho de 2015

85 ANOS DE UM CRIME QUE ABALOU O BRASIL: João Pessoa era assassinado em Recife.



Por Francisco Florêncio

Completam-se hoje 85 anos do assassinato em Recife, do Presidente do Estado da Paraíba, o Dr. João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. Esta é uma das mais significativas datas da história da república brasileira. Menos pela morte do ilustre paraibano, mais pelo que a partir dela disparou-se a dita Revolução de 1930.

Rememoremos as circunstâncias do trágico evento e suas repercussões.

O Presidente João Pessoa havia sido candidato à vice presidente na chapa presidencial do partido da Aliança Liberal, atraindo para si e para a Paraíba, todas os tipos de perseguições por parte do governo federal de então, que representava o status quo e contra o qual prometia a Aliança Liberal, como oposição, um novo modelo de política para o Brasil. Foi nesse contexto que aconteceu a chamada “Revolta de Princesa”. A Paraiba foi fortemente conturbada internamente por este movimento armado, e o governo, sem recursos, enfrentou sozinho a grave perturbação política e social provocada pela rebeldia comandada pelo Deputado Coronel José Pereira. Ódios e rancores foram os subprodutos dessa situação. Dentre eles, o adversário político João Dantas, bacharel paraibano, que foi envolvido em intrigas pessoais alimentadas pelas questões políticas e, num lance oportunista e irracional, assassinou a tiros, em Recife, o Presidente João Pessoa, quando este visitava àquela cidade, neste fatídico dia 26.



O fato mudou a história do Brasil. A Aliança Liberal havia sido derrotada nas eleições de março de 1930. Seus líderes, entre eles Getúlio Vargas, conformados pela derrota, recolhiam-se às suas rotinas. A comoção do assassinato reacendeu a chama apagada dos conspiradores, que oportunisticamente souberam aproveitar o clamor público e criaram o mártir que lhes faltava para a retomada do furor revolucionário, que explodiu em 3 de outubro daquele ano. O corpo do Presidente foi levado de Recife embalsamado, e exposto aos paraibanos na sua capital, onde multidões agitadas clamavam por vingança.  De lá, o corpo seguiu de navio até ao Rio de Janeiro, então capital federal, onde foi apresentado como o supremo mártir dos novos ideais republicanos e democráticos, e lá enterrado com as honras de herói nacional. Em Princesa, o coronel Zé Pereira, exaurido em recursos para manter a campanha militar, assustado com a repercussão do “martírio” do seu feroz opositor, aproveitou o ensejo e deu a luta por encerrada, alegando que “tinha perdido o gosto pela luta”, como dito por seus biógrafos.


Hoje, quase todos os personagens dessa época estão mortos, e com eles, enterradas suas paixões, ambições, vaidades e afins. Só lhes restou entrarem na história. À nós de avaliarmos se valeu a pena. Texto furtado do Blog do Tião Lucena.

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