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sábado, 31 de outubro de 2020

Novembro negro em tempo de pandemia

 


Atenção, estudantes e amantes da história!

O mês de novembro tornou-se referência para a luta e resistência da população negra em enfrentamento ao racismo, reafirmação da identidade e, principalmente, na busca por melhorias de políticas públicas voltadas para esta grande parcela da população. Isso porque, o 20 de novembro, quando se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, relembra a morte de Zumbi dos Palmares, último líder do quilombo dos Palmares, assassinado em 1695.


Durante todo o mês de novembro o perfil no Instagram (@professor_tarcivan) será dedicada às temáticas relacionadas a história e cultura afro-brasileira, luta pela igualdade racial e enfrentamento contra o racismo.


Em breve publicarei a programação referente a semana da Consciência Negra.

 

Conto com a participação de vocês! Axé


segunda-feira, 1 de junho de 2020

O despotismo esclarecido: Origem e influência do iluminismo.



O despotismo esclarecido foi uma forma de governo inspirada em alguns princípios do Iluminismo europeu. O fenômeno ocorreu em certas monarquias da Europa continental, sobretudo a partir da segunda metade do XVIII.

Origem
A expressão “despotismo esclarecido” foi cunhada pelo historiador alemão Wilhelm Roscher, em 1847, portanto, não foi contemporânea a tal política.

O historiador, com este termo, queria explicar uma série de governos que adotaram vários princípios iluministas como o racionalismo, os ideais filantrópicos e o progresso. No entanto, estes mesmos governos não fizeram nenhuma concessão à limitação do poder real ou expandiram os direitos políticos para as demais camadas da população.Por isso, ele é também conhecido por "despotismo benévolo" ou "absolutismo esclarecido".

De forma geral, podemos considerá-lo como um regime onde se aprofunda a ruptura com a tradição típica do Antigo Regime, para uma forma de governar mais eficiente. Contudo, sem abandonar os fatores absolutistas das monarquias. De fato, as regiões mais afetadas por essa política foram a Rússia, França, Áustria, Prússia e a Península Ibérica.

Características:

Em primeiro lugar, é importante destacar que as monarquias absolutistas europeias estavam em crise em função das transformações causadas pelas ideias Iluministas e Liberais. Desse modo, os déspotas esclarecidos, implementaram as reformas necessárias para manter o poder, ao mesmo tempo em que reestruturavam seus governos para serem mais eficientes.

Entretanto, as ideias iluministas adotadas foram apenas aquelas que não prejudicariam a forma de governo absolutista de direito divino.

Apenas os saberes úteis na tomada de decisões político-administrativas foram empregados a fim de dinamizar a economia nacional. Foram deixados de lado os princípios democratizantes e liberais do iluminismo. Outro ponto interessante é a gama de conhecimentos que o monarca deveria dominar para implementar os princípios iluministas. Daí a presença de ministros (ou até mesmo filósofos) afinados ao pensamento filosófico e econômico iluminista nas cortes destes monarcas.

Ademais, é curioso o fato de este fenômeno ser mais comum onde a burguesia foi mais fraca. Isso tornava a economia menos desenvolvida e justificava as implementações iluministas. Sob aspectos filosóficos, é muito comum a legitimação do poder absoluto com base na teoria do contrato social de Thomas Hobbes. Essa teoria defendia o direito divino dos reis.

Por outro lado, podemos encontrar aspectos de liberdade religiosa, de expressão e de imprensa, bem como o respeito à propriedade privada. Com efeito, os monarcas melhoravam as condições de vida de seus súditos. Ao mesmo tempo, por meio de uma administração mais eficiente, incrementavam as receitas do Estado, e assim reforçavam a autoridade real.

Principais Déspotas Esclarecidos:



Na Prússia, o rei Frederico II (1740-1786) foi influenciado pelos ensinamentos de Voltaire (1694-1778).

Na Áustria, a imperatriz Maria Tereza (1717-1780) conseguiu taxar a nobreza e criar um exército nacional.

Na Espanha do rei Carlos III (1716-1788), esta política ganhou forma na ampliação da indústria têxtil.

Na Rússia, a imperatriz Catarina II (1762-1796) promoveu a liberdade religiosa, ao mesmo tempo em que acentuou o feudalismo.

Já em Portugal, o Marquês de Pombal (1699-1792), ministro do rei Dom José I (1750-1777), foi responsável pela expulsão dos jesuítas, pela reforma educacional e manufatureira portuguesa. Isso teve grandes reflexos na administração colonial.

Fonte:
Juliana Bezerra, Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.

domingo, 29 de março de 2020

Gripe espanhola: a catastrófica epidemia que varreu o Brasil em 1918


Em 1918, o Brasil viveu o mesmo precedente de preocupação enfrentado com o novo coronavírus: a gripe espanhola. A mutação do vírus veio a bordo do navio Demerara, procedente da Europa, em setembro daquele ano, em que passageiros infectados desembarcaram no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro.



Em pouco tempo, o vírus se espalhou e o país inteiro estava submerso numa devastadora epidemia. Hospitais ficaram abarrotados, escolas suspenderam as aulas, os bondes trafegam quase vazios e o comércio baixou as portas, com exceção das farmácias, onde a população disputava remédios que prometiam curar as vítimas da doença.



Assim como o coronavúrus, a gripe espanhola se espalhou pelo mundo e foi causada por uma estirpe do vírus Influenza A do subtipo H1N1. A doença contaminou mais de 500 milhões de pessoas.

No Brasil, a pandemia chegou a matar mais de 35 mil pessoas, mas o número deve ter sido muito maior porque muitas pessoas morreram sem diagnóstico. A doença vitimou até o Presidente da República, Rodrigues Alves, em 1919.


segunda-feira, 23 de março de 2020

Ceará é a primeira Província em declarar Extinta a Escravidão (1884)





Há 136 anos o Ceará assumia o pioneirismo no Brasil e libertava seus escravos, mais precisamente em 25 de março de 1884, quatro anos antes da Princesa Isabel assinar a Lei Áurea. Em 25 de março de 1884, o presidente da província, Satiro de Oliveira Dias, declarou a libertação de todos os escravos do Ceará, tornando o estado o primeiro a abolir a escravidão no país.

Isso foi possível graças a Francisco José do Nascimento, também conhecido como Dragão do Mar ou Chico da Matilde. Homem de origem humilde, jangadeiro e abolicionista, teve participação ativa no Movimento Abolicionista no Ceará.

Francisco José era chefe dos jangadeiros e, em 1881, convenceu os colegas jangadeiros a se recusarem a transportar para os navios negreiros os escravos vendidos para o sul do Brasil.

A ação repercutiu no país e somada às ações dos outros abolicionistas do Ceará, que pertenciam à elite econômica e intelectual do estado, levou ao fim da escravidão no Ceará.
A ação iniciada pelo dragão do Mar foi tão importante que Angelo Agostini (desenhista ítalo-brasileiro) registrou o fato na capa da Revista Illustrada, com uma ilustração alegórica de Francisco Nascimento, com a seguinte legenda: “À testa dos jangadeiros cearenses, Nascimento impede o tráfico dos escravos da província do Ceará vendidos para o sul”.

Francisco José do Nascimento virou um símbolo da resistência popular cearense contra a escravidão, e foi homenageado pelo governo do Ceará, com seu nome dado ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, pelo que ele e seus colegas realizaram em nome da liberdade, em 1881, na Praia de Iracema. Francisco faleceu em Fortaleza em 05 de março de 1914.

Gripe espanhola: a maior pandemia da história



A gripe espanhola foi uma variação do vírus Influenza (comumente associado às gripes recorrentes e ao H1N1). A origem da mutação do vírus da gripe é desconhecida. Os casos tiveram início de 1917 e desde então ela se coloca como uma das doenças mais resistentes de todos os tempos. A letalidade da gripe variou entre 6% a 8% durante o surto. 

Inicialmente, a gripe Espanhola surgiu apenas na Europa e nos Estados Unidos, mas em poucos meses se espalhou pelo resto do mundo, afetando a Índia, o sudeste asiático, o Japão, a China, a América Central e inclusive o Brasil, onde matou mais de 10 mil pessoas no Rio de Janeiro e 2 mil em São Paulo. 

Com estimativa entre 17 e 100 milhões de mortos ao redor de todo o mundo, a Gripe Espanhola infectou 27% da população mundial e milhares de pessoas no Brasil. Precisa-se que mais de 35 mil pessoas tenham morrido no nosso país. Uma delas foi o presidente Rodrigues Alves, que faleceu antes de assumir a presidência pela segunda vez.

A gripe Espanhola foi causada por uma mutação aleatória no vírus da gripe, o H1N1, que foi facilmente transmitido de pessoa para pessoa por meio do contato, tosse e ar.

O vírus da gripe espanhola tinha a capacidade de afetar vários sistemas do organismo, ou seja, podia causar sintomas ao atingir os sistemas respiratório, nervoso, digestivo, renal ou circulatório.

A gripe espanhola não tinha cura, mas a doença desapareceu por volta do ano 1918, não tendo sido registados mais casos da doença desde essa época.